Um pombo se escondia entre dois paralelepípedos soltos na calçada. Em sua cabeça havia uma espécie de caroço e uma das asas estava caída ao seu lado. Essa situação me fez parar por alguns segundos e observar aquele sofrimento apático; seu olhar era vazio e sem foco e ele não me percebeu ali. Apesar disso, eu senti. Seu corpo estava se despedaçando e ele esperava a morte escondido. Criou-se um elo entre aquele pombo leproso e eu. Guardei o seu segredo, atravessei a rua, e esperei aquela imagem se desfazer em mim.
Terça-feira, Janeiro 24, 2012
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